13 de mar. de 2013

O Corvo, por Edgar Allan Poe


Uma vez numa noite sombria, enquanto eu ponderava, fraco e cansado,
Sobre uma quantidade de conhecimento esquecido-
Quando eu assentia, quase cochilando, de repente houve uma batida,
Como alguém gentilmente batendo, batendo na porta de minha câmara.
“Algum visitante”, murmurei, “Tocando em minha porta”-
“Apenas isso e nada mais...”

Ah, como bem me lembro, foi no Dezembro sombrio,
E cada morte, forjada em brasa, era um fantasma no piso.
Avidamente eu desejava o amanhã; Em vão eu tenho procurado emprestar
Dos meus livros a cessação do sofrimento – sofrimento pela Lenore perdida
Pela rara e radiante donzela que os anjos chamaram Lenore
Aqui desconhecida para sempre

E o triste, sedoso e duvidoso ruído de cada cortina púrpura
Me emocionando e preenchendo com fantásticos terrores nunca antes sentidos.
Tanto agora, ainda na derrota do meu coração, eu fico repetindo
“Este visitante qualquer pedindo entrada pela minha porta-
Um visitante tardio pede entrada pela minha porta
É isso e nada mais.”

Agora minha alma fica mais forte; não mais hesitando,
“Senhor”, disse eu, “Ou senhora, verdadeiramente teu perdão eu imploro;
Mas é fato que eu estava cochilando, e suavemente você veio bater,
E tão fraco você veio bater, bater na minha porta,
Que era escassa a certeza de tê-lo ouvido – aqui abro a porta –
Apenas escuridão e nada mais

Fundo na escuridão que espreita, tempos fiquei ali imaginando, temendo,
Duvidando, sonhando sonhos não-mortais que não ousava antes sonhar
Mas o silêncio foi quebrado, e a quietude não deu sinal,
E a única palavra que falei foi uma palavra sussurrada, “Lenore!”
Isso eu sussurrei, e um eco murmurou de volta, “Lenore!”
Meramente isso e nada mais.

Volta à câmara, toda minha alma queima por dentro,
Logo, novamente eu escuto uma batida, mais alta que antes
“Certamente”, disse eu, “certamente isso é algo na minha janela;
Deixe-me ver, então, o que é, e esse mistério explorar-
Deixe meu coração ter ainda um momento, e esse mistério explorar;
“Apenas vento e nada mais.”

Aberto aqui arremessei o obturador, quando, com muita agitação e palpitação,
De lá saiu um imponente Corvo dos santos dias de outrora.
A mínima reverência não o fez; nem um minuto parou ou ficou ele,
Mas, com semblante de senhor ou senhora, empoleirado em cima da porta-
Empoleirado, sentado, e nada mais.

Então este negro pássaro ia seduzindo minha triste fantasia ao sorriso
Pelo grave e decoroso tronco do rosto que usava,
“Embora tua crista seja tosquiada e barbeada, tu,” Eu disse, “de arte não-covarde,
Medonho, cruel e velho Corvo errante das praias Noturnas-
Conte-me o que é teu nome senhorial nas praias da Noite Plutoniana!”
Disse o Corvo, “Nunca mais”

Muito me maravilhei com esta desajeitada ave por ouvir este discurso tão claro,
Embora esta resposta de pouco significado – e de pequena relevância;
Que há nós não ajuda, concordando que nenhum homem vivo pode ser
Sempre um abençoado, vendo vista acima a ave em sua porta -
Ave ou besta no esculpido busto acima da porta,
Cujo nome é “Nunca mais”

Mas o Corvo, situado sozinho no busto plácido, disse apenas
Esta única palavra, como se sua alma naquela única palavra tivesse feito jorrar
Nada mais então ele proferiu; nem uma pena ele então abanou-
Até que eu pouco mais murmurei: “Outros tem voado-
Na madrugada ele vai me deixar, como minha Esperança tem voado.”
Então a ave disse, “Nunca mais.”

Assustado a quietude quebrada pela resposta tão apropriada dita,
“Indubitavelmente,” disse eu, “o que isso profere é somente estoque e loja,
Apanhados por algum mestre infeliz cujo inclemente Desastre
Seguido rápido e mais rápido até suas canções um fardo carregarem-
Até o dirges de sua Esperança que melancolicamente um fardo carregou.
De ‘Nunca-nunca mais. ’ “

Mas o Corvo ainda seduz toda minha triste alma, sorrindo
Em linha reta, com rodas, almofadei um assento em frente à ave, busto e porta;
Então, em naufrágio de veludo, eu me dirigi para a vinculação
Fantasia após fantasia, pensando que esse ameaçador pássaro de outrora-
Que esse cruel, desajeitado, medonho, magro e ameaçador pássaro de outrora
Quer dizer quando coaxa “Nunca mais.”

Isso digo engajado em adivinhar, mas nenhuma sílaba expressando
Para a ave, cujos ardentes olhos agora queimados dentro do núcleo de meu seio
Isso e mais eu digo adivinhado, com minha cabeça facilmente reclinável
No forro da almofada de veludo cuja lâmpada regozijou-se sobre
Mas de qual a violeta almofada de veludo cuja lâmpada regozija-se sobre
Ela deve pressionar, ah, nunca mais!

Então, me pareceu, o ar cresceu denso, perfumado por um incenso invisível
Balançado pelo Serafim cujo pé caído tilintou no piso,
“Desgraçado,” lamentei, “teu Deus tem te emprestado-por estes anjos ele tem te enviado
Descanso – descanso e nepente pelas tuas memórias de Lenore!
Beber, ah, beber este tipo de nepente e esquecer essa Lenore perdida!”
Disse o Corvo, “Nunca mais.”

“Profeta!” eu disse, “coisa do demônio! – profeta ainda, ou pássaro ou demônio!
Se Tentador enviado, ou se tempestade jogada aqui em terra,
Desolada, ainda destemida, nessa desértica terra encantada
Nessa casa pelo Horror assombrada – conte-me a verdade, imploro
Há – há bálsamo em Gileade? – conte-me – conte-me, imploro!”
Disse o Corvo, “Nunca mais.”

“Profeta!” eu disse, “coisa do demônio! – profeta ainda, ou pássaro ou demônio
Por este Céu que curva sob nós – por este Deus que ambos adoramos
Conte a esta alma sofrida se, dentro do distante Aidenn,
Deve-se agarrar uma santa donzela cujos anjos chamaram Lenore-
“Agarrar uma rara e radiante donzela cujos anjos chamaram Lenore.”
Disse o Corvo, “Nunca mais.”

“Seja esta palavra nossa assinatura de despedida, ave ou demônio!” eu gritei
“Vá de volta à tempestade e à praia da Noite Plutoniana!
Não deixe pluma negra como símbolo da mentira que tua alma tem falado!
Deixe minha solidão intacta! – saia o busto acima de minha porta!
Pegue teu bico fora de meu coração, e pegue tua forma fora de minha porta!”
Disse o Corvo, “Nunca mais.”

E o Corvo, nunca voando, ainda sentado, ainda sentado
No pálido busto do Pallas, somente acima da porta de minha câmara;
E seus olhos têm toda a aparência de um demônio que sonha,
E a lâmpada sobre ele joga sua sombra no chão;
E minha alma dessa sombra que jaz flutuando no chão
Deve ser levantada – nunca mais!


Texto original de Edgar Allan Poe
Tradução de Leonardo Machado Valadão

20 de fev. de 2013

Amor à pó

   As vezes eu me surpreendo pensando no amor de Deus.
   Não nos é sabido quando a terra se formou: Ela já estava aqui quando viemos, mas uma coisa é certa: Tudo que vimos, sentimos ou tocamos, tudo que nós somos e aquilo à nossa volta, veio das estrelas.
   Sabemos que Deus mandou seu filho, Jesus, para morrer por nós. E então vem o pensamento: Porquê um Deus todo-poderoso mandaria seu filho para morrer por meros mortais- formigas aos olhos de um homem?
     "Por que Deus tanto amou o mundo, que mandou seu único filho para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha vida eterna"
   Deus amou o mundo.
   Ora, não sabemos onde Deus está de fato, se ele está em todos os lugares ou em um específico. Mas sabemos que ele sabe tudo, e criou tudo, inclusive as estrelas.
   E tudo que somos, vemos, tocamos e sentimos, provém das estrelas.
   Somos apenas poeira de estrelas.
   E novamente eu pergunto: Porquê um Deus todo-poderoso daria seu filho para sofrer por meros mortais - poeiras de estrelas, restos de algo grandioso e luminoso?
   Por amor.
     "O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."

17 de fev. de 2013

Crianças: Imbecis ou imaturas?

   Há muito tempo que percebo um conceito por parte da sociedade: O tratamento das crianças como retardadas por parte dos adultos. Muitas vezes, as crianças são tratadas como criaturas irracionais, quase como uma espécie diferente, e não como seres humanos. Pessoas que tratam crianças com todo aquele "cuti-cuti", e aquela coisa de "vou fazer graça para ver se ele entende": Isso é realmente necessário? Acho que não.

   Criança, no dicionário: Indivíduo da espécie humana na infância. Ou seja: A criança ainda é uma pessoa como eu e você, mas imatura. Ele não é um cachorro ou um gato irracional, que não entende o que é dito: Sim, ele entende, apesar de não conseguir raciocinar isto até chegar a uma conclusão.

   Estudos comprovam que tratar uma criança como uma abobada (ou seja: Fazer graçinhas desnecessárias) torna a criança mais boba quando ela cresce. Isto prova o que disse no parágrafo anterior: Ela entende, mas não raciocina. O que uma criança vê na infância (inclusive em seus primeiros dias) reflete em sua personalidade ao se tornar adulta. Se você faz graçinhas, ela vai fazer graçinhas o resto da vida. Isto não é saudável para a vida de uma criança.

   E por que a sociedade trata uma criança como sendo irracional? Essa questão é um conceito pré-determinado pela sociedade, que remota do "que é bonito e o que não é". Se você acha algo bonito, provavelmente é porque alguém te disse que é bonito - não diretamente, mas, por exemplo, ao ver um comercial (na infância ou não) com uma mulher de biquíni ou um homem sem camiseta, um conceito passado de forma indireta. O mesmo acontece com crianças: Você acha que é bonito porque alguém lhe disse que é bonito. No caso, "fofo(a)". E, outro conceito passado pela sociedade: O que é fofo(a), deve ser paparicado.

   Acho que expus meu ponto. Para concluir, deixo a frase do escritor inglês J.R.R Tolkien: "É um erro; na melhor das hipóteses um erro de falso sentimento, e portanto um erro cometido mais freqüentemente por aqueles que, seja qual for seu motivo particular, tendem a enxergar as crianças como um tipo especial de criatura, quase uma raça diferente, e não como membros normais, ainda que imaturos, de uma determinada família e da família humana em geral."

3 de fev. de 2013

Via Láctea - Olavo Bilac

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas

2 de fev. de 2013

Éktra

Meu coração está cheio de ódio
E eu anseio mais
Pois é o que me completa
É o que me faz forte
Diferente dos demais
Fracos e sem esperança
Eu tenho esperança
A esperança de ter mais
Pois nasci com poder
E meu poder aumenta
Conforme meu ódio aumenta
Por isso me preencho por raiva
A única coisa que me faz sentir vivo
E me faz sentir forte
Poderoso
Por isso nunca estarei feliz,
Até conseguir mais

29 de jan. de 2013

Razão de viver

 Estou perdendo a razão de viver.
 Estou voltando a primeira desgraça, de onde todo o meu sofrimento, todos os males que habitam minha vida, vieram.
 Lá, onde habitam prostitutas, assassinos, servidores da bruxaria, demônios, caluniadores, mentirosos, tolos, zombadores, alienados, crianças retardadas, e fingidores. É para lá que estou indo.
 E já fui para lá uma vez, e uma vez prometeram-me que minha estadia lá pouco duraria, e desde então metade da minha vida se passou.
 Não sei se aguentarei aquilo de novo, não sei se aguentarei a mentira, a tentação, a transformação, a paixão, a enganação, a falsidade, a humilhação.
 Pois ali sou mais valioso que todos eles, sei que sou mais poderoso e forte que todos eles, mas sou obrigado a fingir que sou o pior deles.
 Eu deveria merecer mais, merecer algo ou alguém que reconhecesse do que sou capaz, mas não posso, não consigo fazer com que vejam.
 Tudo o que desejo é alguém que me dê mais, pois estou sedento e preciso ser saciado pelo conhecimento. Não peço muito, tudo que peço é que me preencha com o saber, mas tudo o que ganho é falsos historiadores e uma sociedade que me vê como escória.
 E é por isso que estou perdendo a razão de viver, pois algumas vezes o sofrimento da morte é um preço justo a pagar comparado ao sofrimento da vida.

10 de jan. de 2013

Oração ao Cadáver Desconhecido, por Karl Rokitansky

Ao curvar-te com a lâmina rija de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas; cresceu embalado pela fé e esperança daquela que em seu seio o agasalhou, sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos jovens; por certo amou e foi amado e sentiu saudades dos outros que partiram, acalentou um amanhã feliz e agora jaz na fria lousa, sem que por ele tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece. Seu nome só Deus o sabe; mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir a humanidade que por ele passou indiferente.

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