21 de nov. de 2013

Lindo e sutil trançado, que ficaste
em penhor do remédio que mereço,
se só contigo, vendo-te, endoideço,
que foras cos cabelos que apertaste?

Aquelas tranças de ouro que ligaste,
que os raios do Sol têm em pouco preço,
não sei se para engano do que peço
se para me atar os desataste

Lindo trançado, em minhas mãos te vejo,
e por satisfação de minhas dores
como quem não tem outra, hei de tomar-te

E se não for contente meu desejo,
dir-lhe hei que, nesta regra dos amores,
pelo todo também se toma a parte.
-Luís Vaz de Camões
Quem vê, Senhora, claro e manifesto 
o lindo ser de vossos olhos belos, 
se não perder a vista só em vê-los, 
já não paga o que deve a vosso gesto. 

Este me parecia preço honesto; 
mas eu, por de vantagem merecê-los, 
dei mais a vida e alma por querê-los, 
donde já me não fica mais de resto. 

Assim que a vida e alma e esperança 
e tudo quanto tenho, tudo é vosso, 
e o proveito disso eu só o levo. 

Porque é tamanha bem-aventurança 
o dar-vos quanto tenho e quanto posso 
que, quanto mais vos pago, mais vos devo.
-Luís Vaz de Camões

19 de nov. de 2013

Ó Bela, minha Rainha

A primeira vez que lhe vi, ó bela
Sabia que já havia a encontrado
O segredo que o olhar revela
Segredo de já tê-la amado

Como um sonho de infância
Não deste, mas outro tempo
Senti ao deliciar tal fragrância
Pois não houve sequer lamento

De súbito o sentimento a voltar
O quanto a amava, ó minha
Volta-me a sensação do olhar
Volta a mim, ó rainha

E quando os olhos serro,
Belo rosto a contemplar
Então a saudade encerro
Pois tenho algo a admirar

Alegria vindoura
Sentimento tão belo
Sensação duradoura
Criação de um elo

Desconheço o que me esperas
Pois diferença não haverá
Da saudade terei deveras
Pois meu amor continuará

Meu Sol e Lua

Sol, quente e flamejante,
Cor dor do ouro fulgurante.
Queima, cria, destrói;
Modifica, forma, corrói.

Pálida Lua do olhar.
Único singelo do contemplar;
Depressiva, sempre viva,
Escondida, mas sempre ativa.

Como poderei escrever
Da piedade do ser.
Impossível compreender
O que foi criado para se ver.

13 de nov. de 2013

Ondas do Luar

Magnífico caminhar
Que anda sob o luar,
Ondas de bravura
Realeza da arte.

Cai sob mim,
Com todo o esplendor.
E eterno fulgor
Que há no olhar.

Com semblante de ouro,
Teus cabelos tão louros,
Fulgurante como o Sol,
Delicada como girassol.

Cai sob mim,
De ondas tão belas.
Tais ondas no luar.
Para mim, ó bela, contemplar.

9 de out. de 2013

Senhora do Tempo

Admirável senhora mui bela
Que vem tão distante desta terra
Quanto tempo tens passado?
Pertences tu a tal era?

Pois tu não escutas?
Que dirá desta conduta,
Ter ampliado minhas lutas
És tu senhora tão humilde?

Ó rosto tão pálido
Fonte de beleza,
De amor tão cálido
Tu tens, ó donzela

Ouça meu chamado, senhora
É por ti que clamo nesta hora
Das esperanças, foram-se embora
Ouça meu chamado, senhora

6 de out. de 2013

Brilho, ó brilho incandescente

   Olhos, ó poderosos olhos que vejo por este pálido e belo rosto. Ó poderosos diamantes, do brilho mais fumegante que contemplo nesta hora. Por que vais? Por que me abandonais? Não possui piedade ó tu, de coração tão humilde?
   Pois nesta terra fora concebida, poderosa flor da aurora, que contemplo nesta hora. Ó encantadora pérola de desejo, implacável fonte regozijadora do mais belo manjar que paira sob meu ser, para assim olhar-te e dizer, o quanto a quero.
   Pairaste sobre mim, ó bela, mais uma vez para que eu a possa contemplar, pois meus olhos ainda não estão saciados, pois nem todo o brilho de toda e cada joia rara que fora concebida neste mundo longínquo pode submeter-se a tal brilho incandescente que teu mar reluzente pode sustentar. Paira sobre mim, ó bela, para que eu possa contemplar.

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